sexta-feira, 29 de julho de 2011

Eu queria


Eu queria por um momento só lembrar das coisas boas.
Dos dias em que mesmo compromissados, a gente ficava a toa.
Te roubar pra mim nas noites frias.
Queria sentir seu perfume no meu travesseiro,
ou mesmo andando na rua, sentir seu cheiro.
Eu queria ter dito diferente das vezes em que te magoei,
Ou ter morrido de rir, daquela vez em que de novo eu chorei.
Falar tudo em que eu só conseguia pensar, te beijar até perder o ar.
Eu queria ter morrido de amor ao invés de dor.
E não me sentir vazia quando você partia.
Eu queria ter o controle da saudade, pra não ficar só na vontade.
E fazer você acreditar quando eu fingia que sorria.
Eu queria não querer mais nada.
Mas amanhã eu sei,
que vou querer tudo outra vez.

terça-feira, 29 de março de 2011

Possibilidade remota

Era uma noite como qualquer outra. Uma lua parecida com a de ontem. Nada parecia se mover. Avistei um lugar vazio, me aproximei. Sentei na mesa menos perceptível. Nem a luz se atreveria a se aproximar de lá. Estava tudo calmo, dava até para escutar as respirações a minha volta. De longe, senti olhares. Nada muito perturbador. Chegou mais perto, para que eu pudesse nota-lo e perguntou se poderia se sentar. - Quando já se tem em mente o “não”, tudo é válido. - Sem muita importância não liguei. Dei de ombros. Não esperava nada, já havia cansado de esperar, de procurar, de tentar. Por um breve momento pensei que poderia ser. Começou a falar, me contou sua vida, e foi como se eu já a soubesse, já conhecesse aquele olhar. Minha garganta já começava a engolir a seco. Senti minha respiração pesar, por varias vezes tive que puxar mais forte o ar pra poder respirar. Era tudo muito estranho, aquele sorriso que me prendia, o seu cheiro que me desconcentrava, todos aqueles detalhes, todos os sorrisos. Meus sorrisos. Acolheu-me, envolveu-me. Sem me fazer pensar duas vezes. Sabia o quão perigoso seria, sabia de todos os riscos, só não sabia, que seria incontrolável. Quanto mais o relógio girava, mais prendia minha atenção em você. A noite enfim terminou, deixei levar meu sorriso, minhas manias. Em um curto prazo, trouxe de volta, porém, em questão de segundos, o sorriso se transformara em perguntas, em tristeza. Será que o destino conseguiu me iludir tão bem? Não conseguia e nem queria entender o porque daquelas mudanças repentinas, das promessas quebradas. Como seria possível alguém conseguir enganar tanto alguém. E eu não entendia, não achava uma razão. De repente acordei, lençol molhado, respiração ofegante, um pouco de medo talvez. Olhei para os lados para me certificar de que foi tudo mesmo um sonho. Ergui o braço em direção ao meu rosto, tocando meus dedos em meus lábios, vi que ainda havia sorriso, e o mais importante, um coração.



quinta-feira, 10 de março de 2011

Gostar


Se eu me perco no tempo, sei que você erguerá suas mãos só pra me salvar, e assim então eu poderei ver a luz. Com teus braços eu poderei me apoiar. Porque você é meu herói e também meu bandido, gosto dessa brincadeira de nunca saber, gosto do gosto noturno do teu beijo ao me encontrar antes de se virar pra dormir. Gosto do som que seu coração faz no meu ouvido quando me deito no seu peito. Gosto do som que minha boca faz quando você me aperta tão forte que ate perco o ar. Gosto de gostar das coisas que você me faz e não faz. E se você partir, a noite quando eu fechar os olhos, sentir teu cheiro, e sonhar contigo mesmo assim, eu vou gostar. Gostar de te amar.

domingo, 6 de março de 2011

E os dias em que eu virava a noite esperando você voltar? E as palavras que eu nunca disse com medo de te machucar? Os planos, promessas, e a vontade de te ter? Coisas que só eu faria por você. E não há mais ninguém pra nos salvar. Palavras ao vento, frases quebradas. Pelo menos com você eu aprendi a me amar.

sábado, 5 de março de 2011

Liar



Dessa forma, eu consigo te encarar,
não mais da mesma maneira, não mais amando,
mas sendo amado.
Amado por ter suportado tanta farsa.
Tanta mentira aquele tempo todo.
Agora a verdade parece um veneno.
Vai matando aos poucos,
o pouco de esperança que existia em mim.
O tempo passou, levou tudo de bom, tudo de ruim,
e eu já nem lembro mais o que eu sentia quando te ouvia.
Era tudo que eu não queria, só mentiras.
Pode não parecer, mas se olhar nos meus olhos
vai perceber que não estas mais em mim.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Liesel

Era tão miuda, mas gigantescos sonhos pairavão em sua mente. Com aqueles olhos cintilantes, cheios de vontades, não imaginaria que por dentro uma magoa habitava. Ele tão gigante, poucos sonhos, poucos desejos, o suficiente pra fazê-la sorrir. Todos os dias sofria ao pensar que não conseguiria. Ela era tão nova pra sofrer, e pensar a deixava cada vez mais deprimida. Até de olhos fechados mal conseguia se concentrar em coisas boas. Seus olhos sorriam a qualquer avanço, mas sabia que seria por pouco tempo. Ela só queria ajudar, esquecia-se até de viver, pra tentar ajuda-lo a viver. Ela era um anjo. Ele o enfermo. Ela era o começo e ele o fim. Então, adormeceu. Profundamente. Não sei dizer exatamente em qual momento ele desistiu nem por qual razão. Ela ficou aliviada, mas triste o suficiente pra conseguir sufocar qualquer tipo de pensamento,
enfim.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ah se eu soubesse


Como podia adivinhar que logo logo, viria a me encontrar
com o tão sonhado sonho. Sonho meu, sonho seu,
sonho de ter, ver, mas que eu nem sabia que era você.
Com aquele atrito e faisca de toques.
Ah, se eu soubesse, teria logo arrumado pretexto
de te trazer dos meus sonhos só pra te olhar.
Ah, se eu soubesse que iria gostar tanto de você.
Nem se eu esfregasse os olhos,
conseguiria te embassar do meu pensamento.
Tão perto que dormiamos juntos quando o sono se aproximava.
Sem nunca saber como seria dormir com um sonho.
E nem imaginar o quanto de coisas que viriam a acontecer.
Dava ate pra te tocar, de tão proximo.
Ah, se eu soubesse que cuidar de você era o que eu mais queria.
E eu sorria até no escuro, lembrando do teu sorriso.
Seu olhar a procura do meu.
Dedos entrelassados sem querer largar.
Ah, se eu soubesse como é bom teu sabor.
E seu calor.
A cada dia, um desejo pro céu.
Contando, ouvindo, tentando descobrir
se realmente aconteceu.
E o que era gelo, virou ar, o de se esperar, nao esperou.
Chegou traiçoeiro, ah se realmente eu soubesse.
Mas felizmente agora eu sei.
Mais de um ano, e ainda sinto, não o seu olhar,
mas o meu indo na mesma direção do seu. Do amor.
Do nosso amor.
Nesse momento e em vários,
eu sei que te amo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Shuuh.


Nós somos muito pra tão pouco, apenas esqueça tudo e desista. Porque o espelho te condena, te arrasta pro seu pior. E você sabe até aonde pode chegar, que é difícil voltar, vai estar sozinho. Escute-me e se cale, não pense, não finja. Não seja, porque é o que querem. Já é demais pra nós. Silêncio.


domingo, 21 de novembro de 2010

Espelho



Assim que se viu, notou o amor.
Da forma mais pura, dentro de si.
Seus olhos brilhavam.
Sorriu.
Percebeu seus dentes amarelos.
Envaideceu.
E assim, notou
o amor.

Enfim

Foi quando eu soube que só tinha casca,
não havia mais matéria, muito menos propósito.
De que tudo que havia vivido foi apagado
como se nunca viesse a existir.
Logo eu, que tanto queria um motivo.
Logo a mim que tanto sonhava em um dia ser-vivo.
Não mais dentro, não mais momento, não mais chão.
Tão vazia que se ventasse, voltaria porque agora havia um fim.
Casca com começo, meio e fim enfim. Sem destino, sem estória.